10.12.13

PAX RURIS

Não foi esta a pax ruris que escrevi
com o meu lápis cronicamente rombo --

esta sáfara, cinzenta, silenciada
pax ruris com sinais de podridão
e nenhum estrépito de vida.

M. A. Pires Cabral

gaveta do fundo, Edições Tinta-da-China, Lda., Lisboa, Novembro de 2013

23.11.13

Aula Magna

Nunca é demais
se por menos
tocam sinos a rebate

(por motivos
de somenos
comparados com o ataque)

resistir
romper a teia
combater a urdidura

do medo
que arroteia
a trama da ditadura

Domingos da Mota

[inédito]

18.11.13

Esplanada

Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,

agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.

O café agora é um banco, tu professora de liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.

Manuel António Pina

POESIA, SAUDADE DA PROSA uma antologia pessoal, Assírio & Alvim, Lisboa, Maio 2011

2.11.13

Animais domésticos

Só dois cães e quatro gatos,
oito pulgas, dez piolhos,
três carraças, doze ratos,
cinco traças, dois treçolhos,
um coelho, vinte chatos
(e o burro com antolhos),

treze aranhas e aranhiços,
quinze moscas e moscardos,
os frangotes, os mosquitos
e os galos amestrados,
abelhas e periquitos
com zangões alucinados,

três perus e sete patos,
papagaios e araras,
as galinhas, quatro gatos
e dois cães formam de caras
um antro de desacatos
com as loucas aves raras.


Domingos da Mota

[inédito]

16.10.13

RESERVADO AO VENENO

Hoje é um dia reservado ao veneno
e às pequeninas coisas
teias de aranha filigranas de cólera
restos de pulmão onde corre o marfim
é um dia perfeitamente para cães
alguém deu à manivela para nascer o sol
circular o mau hálito esta cinza nos olhos
alguém que não percebia nada de comércio
lançou no mercado esta ferrugem
hoje não é a mesma coisa
que um búzio para ouvir o coração
não é um dia no seu eixo
não é para pessoas
é um dia ao nível do verniz e dos punhais
e esta noite
uma cratera para boémios
não é uma pátria
não é esta noite que é uma pátria
é um dia a mais ou a menos na alma
como chumbo derretido na garganta
um peixe nos ouvidos
uma zona de lava
hoje é um dia de túneis e alçapões de luxo
com sirenes ao crepúsculo
a trezentos anos do amor a trezentos anos da morte
a outro dia como este do asfalto e do sangue
hoje não é um dia para fazer a barba
não é um dia para homens
não é para palavras

António José Forte

Uma Faca nos Dentes, Prefácio de Herberto Helder, edição de Zetho Cunha Gonçalves, desenhos e fotografias de Aldina, Parceria A. M. Pereira, 2.ª edição aumentada, Lisboa 2003

13.10.13

Ode ao cianeto

Vós que suportais a miséria imposta
por estes que outras coisas prometeram
e pondes sal na ferida exposta
e recalcais os medos que se geram;
vós que lidais como quem se apouca
perante as mais torpes vilanias
de gente quase cega, surda e louca
que se arroga o papel doutro Messias;
vós que sois ajustados, confiscados,
usados como carne para canhão
na guerra impassível dos mercados,
em nome duma estranha salvação;
vós que mal podeis com o esqueleto,
olhai e vede bem o cianeto.

Domingos da Mota

[Inédito]


29.9.13

Motete, ou nem isso

Fosse burro ou jumento, fosse
cavalo ou ginete, um cão raivoso,

sarnento, o raposo do motete,
fosse galo, fosse pato, fosse peru,

fosse ouriço, fosse piolho, um
chato, mas é um verme, ou nem isso.

Domingos da Mota

[inédito]

23.9.13

António Ramos Rosa (1924-2013)

POEMA

As palavras mais nuas
as mais tristes.
As palavras mais pobres
as que vejo
sangrando na sombra e nos meus olhos.

Que alegria elas sonham, que outro dia,
para que rostos brilham?

Procurei sempre um lugar
onde não respondessem,
onde as bocas falassem num murmúrio
quase feliz,
as palavras nuas que o silêncio veste.

Se reunissem
para uma alegria nova,
que o pequenino corpo
de miséria
respirasse ao ar livre,
a multidão dos pássaros escondidos,
a densidade das folhas, o silêncio
e um céu azul e fresco.

António Ramos Rosa

 O GRITO CLARO (selecção de poemas), [Segunda Parte], Colecção «A Palavra», n.º 1 Faro - 1958

19.9.13

Herberto Helder : Um quarto dos poemas é imitação literária



    com a devida vénia, um poema do livro Servidões, de Herberto Helder,
                                      dito por Fernando Alves

13.9.13

A DEFESA DO POETA

Senhores juízes sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto.

Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim.

     Compus este poema para me defender no Tribunal Plenário de 
tenebrosa memória, o que não fiz a pedido do meu advogado que
sensatamente me advertiu  de  que  essa  minha insólita leitura no
decorrer do julgamento comprometeria a defesa, agravando a sen-
tença.

Natália Correia

Antologia Poética,  [A Mosca Iluminada], Prefácio de Fernando Pinto do Amaral, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Junho de 2002 

7.9.13

Contra o vómito

    Porque o poema é sempre contra o vómito.
     Porque o poema é sempre, SOBRETUDO,
     contra engolir o vómito.

     Vasco Gato


Uma fossa, uma latrina,
um esgoto petulante,
um verme que congemina
ser o Inferno de Dante;

um caga-raiva mais sujo,
mais empestado que as fezes,
mais reles que um sabujo,
mais desprezível, mil vezes,

a vomitar o seu ódio
com insultos viscerais,
um verme que busca o pódio
entre vírus e demais

bactérias resistentes,
a julgar-se um Tiradentes.

Domingos da Mota

[inédito]


1.9.13

EPITÁFIO DE UM TIRANO

Uma certa perfeição era o que ele procurava,
A poesia que inventava era de fácil compreensão;
Conhecia a loucura humana como as costas da mão,
Exércitos e esquadras eram coisas muito suas;
Quando ria, os senadores riam às gargalhadas,
E quando gritava, as crianças morriam nas ruas

W. H. Auden

Antologia de Poesia Anglo-Americana De Chaucer a Dylan Thomas, Selecção, tradução, prefácio e notas de António Simões, Campo das Letras, Editores, S. A., Outubro de 2002

30.8.13

Seamus Heaney (1939-2013)

Limbo

Pescadores em Ballyshannon
Apanharam esta noite uma criança
Na rede, juntamente com o salmão.
Uma desova ilegítima,

Pequeno ser devolvido
Às águas. Mas estou certo
Que quando ela, nos baixios,
O mergulhou ternamente

Até os nós gelados dos dedos
Estavam mortos como os seixos,
Ele era um isco com anzóis
A rasgá-la por dentro.

Ela entrou na água sob 
O sinal da sua cruz.
Ele veio na rede com o peixe.
Agora o limbo será

Um frio reluzir de almas
Numa região distante e salgada.
Mesmo as palmas de Cristo, por sarar,
Doem e não conseguem pescar lá.

Seamus Heaney

DA TERRA À LUZ poemas 1966 - 1987, Tradução, prefácio e notas de Rui Carvalho Homem, Relógio D'Água Editores, Janeiro de 1997

27.8.13

Epitáfio

Homem
brilhante, rotundo,
crudelíssimo, 

sem dó
nem compaixão,
num segundo,

olhai
e vede:
é pó.


Domingos da Mota

[inédito]

12.8.13

UHF - Vernáculo

NÃO GRITEIS MAIS

Cessai de matar os mortos,
Não griteis mais, não griteis,
Se os desejais ainda ouvir,
Se confiais em não cair.

Têm o imperceptível sussurro,
Não fazem mais rumor
Do que o crescer da erva
Alegre onde não passa o homem.

Giuseppe Ungaretti

SENTIMENTO DO TEMPO, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Fevereiro de 1971

9.8.13

Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013)

Nocturno

Ver-te-ei por ventura de novo
subitamente
ao pé daquela fonte
onde os pardais e os ganhões se juntavam
no fim da jorna
e as brancas pombas vinham bicar
grãos de luz
sob a exaustão do dia
e havia franças de árvores a adormecerem
na agonia da esperança?
Não nunca mais verei o verde
dos teus olhos essa ternura arisca
Quando te perdi comecei
a atravessar o ácido rio do silêncio
Depois essa dor encolheu
como todas as coisas
No reflector que há dentro de mim
capto agora a imagem insólita
da lua e vejo a respiração dos poços
à volta da vila sonhando
a muda tristeza das suas muralhas
Anoiteço sem lágrimas 
e continuo a sofrer sem saber já exactamente
se sofro por ti que partiste
ou por esta despedida de mim

                                                                                          2008
Urbano Tavares Rodrigues

Horas de Vidro, [Poemas do Novo Século], Publicações Dom Quixote,  Lda., Lisboa, Fevereiro de 2011

21.7.13

de nada - quinze

se continuarem
estes gestos bárbaros
este pão vazio
este labirinto
sem Apolo e Orfeu
nem Prometeu
nem ao menos
Dédalo e o Minotauro
só este labirinto vazio

se não houver outro remédio
a solução é capaz de ser
a granada
uma pedra bem bonita
e dizem
os livros antigos
que se trocam pedras destas
antes da despedida

ou na falta dela
o tijolo de César

ele continua aí

Alberto Pimenta

de nada, Edição Boca - palavras que alimentam, Lda., Novembro de 2012

13.7.13

A má reputação



com a devida vénia, "La mauvaise reputation", colhida aqui.

26.6.13

Greve Geral


























Amanhã este blogue está em greve.

(Imagem colhida aqui)

24.6.13

AS CONDIÇÕES LOCAIS

Despede-se o amigo junto à porta do elevador
- Quando nos voltaremos a encontrar.

Vai à procura de sustento
Seguindo o ciclo dos nómadas assalariados
Ao dia
Por essas terras com dono
Noite e dia

A guerra foi declarada
Campos de trigo em absoluto silêncio.

João Almeida

Telhados de Vidro, N.º 18 . Maio . 2013, Averno, Lisboa

13.6.13

Livro do Dessassossego

297.

A reductio ad absurdum é uma das minhas bebidas predilectas.

Bernardo Soares

LIVRO DO DESASSOSSEGO, edição Richard Zenith, Assírio & Alvim, Lisboa, Maio de 2003

8.6.13

J. Rentes de Carvalho - «A Feira do Livro no Porto em 2013»

Com a devida vénia, do texto de J. Rentes de Carvalho, publicado no seu blogue, Tempo Contado, sobre a Feira do Livro no Porto, que «este ano não há», cito o seguinte parágrafo:

"Será boato, mas já ouvi que boa porção dos que a visitam são atreitos a pensar pela própria cabeça e gostam de aprender, qualidades que levam à inquietação e daí ao descontentamento, à rebeldia."

Para uma leitura completa: A Feira do Livro no Porto em 2013.



31.5.13

Libertar Portugal da Austeridade - Doutor António de Sampaio da Nóvoa



Com a devida vénia, a intervenção do Doutor António de Sampaio da Nóvoa, na Aula Magna, sob o lema, Libertar Portugal da Austeridade, no dia 30.05.2013

29.5.13

"Sete poemas do livro, «Servidões», de Herberto Helder"

Com a devida vénia, aqui a ligação para "Sete poemas do novo livro de Herberto Helder, «Servidões», editado pela Assírio & Alvim, e ditos por Fernando Alves, TSF".

24.5.13

Georges Moustaki - Le Meteque



                                           (1934-2013)

18.5.13

Récipe

Tomai
e bebei. Este é
o meu fel.


Domingos da Mota

16.5.13

O terrorismo do Estado em todo o esplendor

Com a devida vénia, a ligação para um texto de Nicolau Santos, no blogue As Minhas Leituras:

O terrorismo do Estado em todo o esplendor

12.5.13

Baptista-Bastos: O poder como manigância

Com a devida vénia, a ligação para um texto de Baptista-Bastos, sobre um recente e muito comentado discurso de Paulo Portas:

O poder como manigância - Opinião - DN

4.5.13

Metástase

rói
    dev
        ora
          dói
      cor
  rói
Domingos da Mota

25.4.13

ESQUERDIREITA

À esquerda da minoria da direita a maioria
do centro espia a minoria
da maioria de esquerda
pronta a somar-se a ela
para a minimizar
numa centrista maioria
mas a esquerda esquerda não deixa.
Está à espreita
de uma direita, a extrema,
que objectivamente é aliada
da extrema-esquerda.

Entretanto
extra-parlamentar (quase)
o Poder Popular
vai-se reactivar, se...

Das cúpulas (pfff!) nem vale a pena
falar, que hão-de
pular!

Quanto à maioria de esquerda
ficará - se ficar - para outro poema.

Alexandre O'Neill

ANOS 70 poemas dispersos, Assírio & Alvim, Lisboa, Outubro de 2005

24.4.13

Pequeno tratado sobre swaps

:sine
curas
urdi
duras

:swaps

tachos
camba
lachos
:flops!

Domingos da Mota

18.4.13

Império

Onde ele dizia descoberta, ela ouvia jugo. Onde
ele dizia civilização, ela ouvia barbárie.
Pilhagem, extorsão, estupro,
escravatura.
Terra queimada, a princípio,
lavrada, depois, com os ossos dos mortos.
Elas, mais dóceis, vomitavam do ventre
a fé e o medo, misturados no sangue
dos filhos mestiços.
Eles, mais rudes, sabiam que contrapor a força à força
talvez permitisse uma imitação da revolta.
Mas as coisas nunca coincidem com as palavras,
e raramente a carne com o punhal.


Madalena de Castro Campos

O FARDO DO HOMEM BRANCO, Edição Companhia das Ilhas, Lajes do Pico, Março de 2013

14.4.13

Sebo

De vez em quando os livros,
reduto agrário da memória
e da linguagem do fogo,
têm sorte, alguém aparece,
solitário bandeirante,
para salvá-los da morte,
da cega ruína
de suas girândolas e orelhas
na lixeira pública.

Paulo da Costa Domingos

[Poemas Abrasileirados, Lisboa &etc], in RESUMO a poesia em 2012, edição Documenta, Lisboa, Março 2013

6.4.13

OS BOTÕES

« - A pena de morte é a única solução para muitos casos. E o próprio juiz e o
júri é que carregam, todos ao mesmo tempo, nos botões e um deles liquida o
condenado».

Alexandre O'Neill

POESIAS COMPLETAS, Assírio & Alvim, Lisboa, Maio de 2007

3.4.13

a galope

vão-se embora palavras
deixem-me ali à esquina
amem e façam-se à vida
não temam a morte voem
sabem que não são minhas
para lá dessas fronteiras
que desapertam as rimas
com poemas ou bombas
fucem apanhem boleias
entre cometas e estradas
só vos deixei preparadas
para os cornos dos poetas
as músicas e as ânsias
que nos fazem ir às almas
fujam de aqui raparigas
há rapazes pelas esperas
de gerações filhos e feras
pelo meio de beijos e balas
cumpram de mãos acesas
esses silêncios essas iras
a que o tempo dá legendas
se uma língua forem todas

Joaquim Castro Caldas

MÁGOA DAS PEDRAS, Deriva Editores, Porto, Janeiro 2008

30.3.13

«Não merecia Vieira este tratamento» [M.C.V., mensagem]

Com a devida vénia, deixo a ligação para a mensagem de Maria do Carmo Vieira, dirigida ao Professor Pedro Calafate, a propósito da publicação da obra integral do Padre António Vieira, «devastada e profanada com a aplicação do AO»:


«Não merecia Vieira este tratamento» [M.C.V., mensagem]

26.3.13

Torquato da Luz (1943-2013)



O que importa



Nem balanço nem contas. Nada disso.
Importa é recusar o compromisso
do permanente deve & haver.
Importa é ter insubmisso
a todo o tempo o coração.
Importa é não ceder
e saber dizer não
a quem, por qualquer razão
que supõe ter,
não pretende senão
fazer-nos obedecer.
Importa é que a rebeldia
nos seja pão de cada dia.

Torquato da Luz

 com a devida vénia, um poema do autor, colhido no seu blogue, Ofício Diário;
a fotografia foi retirada daqui.


22.3.13

Óscar Lopes (1917-2013)

Prof. Óscar Lopes


















Tive o privilégio de assistir a algumas aulas deste grande Mestre, e também a diversas das suas palestras, que tinha o condão de transformar rapidamente num diálogo enriquecedor com os presentes. Entre várias, recordo-me duma sobre a matemática da língua falada. Brilhante.

(fotografia colhida no Público)


13.3.13

José Gil - filósofo e ensaísta

Com a devida vénia, a ligação para uma entrevista com o filósofo José Gil, na TSF, no dia 10 de Março de 2013, aqui.

11.3.13

[Um homem duplo cego]

Um homem duplo cego
aposta o limite. Um homem que se preze
presume uns degraus abaixo
do limiar de pobreza. Um homem
a ver gente vencida pelo silêncio,
a morrer aos bocados.
Um homem à beira
do fim.

Rui Baião

LADRADOR, Averno, Lisboa, Março de 2012

8.3.13

EPITÁFIO

Dum cesto de flores carrega a púrpura.
Da noite o ar rouco.

José Emílio-Nelson

PESA UM BOI NA MINHA LÍNGUA, Edições Afrontamento, 2013

6.3.13

O Discurso Proibido de Hugo Chávez na COP-15 (Legendado)


                                                 Hugo Chávez
                       (28 de Julho de 1954 - 5 de Março de 2013)

28.2.13

O mito escangalhado

Com a devida vénia, deixo a ligação para o texto acutilante de Baptista-Bastos, no Diário de Notícias:

O mito escangalhado - Opinião - DN

21.2.13

Hélia Correia - "A Terceira Miséria"

























A Terceira Miséria, de Hélia Correia, edição da Relógio D'Água (um belo livro, de que publiquei um  poema aqui e outro aqui), venceu o Prémio Literário Casino da Póvoa, do Corrente d'Escritas 2013.
Os meus parabéns à autora.

19.2.13

Correntes d'Escritas 2013



                             





















Programa do Correntes d'Escritas 2013, aqui.

6.2.13

O crime de ser português

Com a devida vénia, a ligação para uma crónica de Baptista-Bastos:

O crime de ser português - Opinião - DN

30.1.13

Investigações sobre o poder

Em certas noites os homens rumam
a um canto da sala para cotejar
seus feitos. Um simpósio de insatisfeitos.
Com o gesto ominoso da
combustão do tabaco vão esgrimindo argumentos
atentos à porta aberta (àquele
degrau oferecido que ainda
possam subir). É o carnaval do poder
em seu
pequeno esplendor (os vencedores vindimando
a colheita dos vencidos
comentando com desdém os pobres
trabalhos de Sísifo).
Espio a cena de longe. Não
bebo não jogo e esta noite (a
ter de desconversar)
prefiro falar de mulheres.
É muito menos obsceno.

João Luís Barreto Guimarães

você está aqui, Quetzal Editores, Janeiro de 2013

27.1.13

Desabafo da semana

Vão desculpar-me o vernáculo, mas "ir aos mercados" só me lembra a expressão "ir às putas". Não sei mesmo se não serão sinónimos.

Ana Cristina Leonardo

19.1.13

O senhor Barthou

Com a devida vénia, uma ligação para o blogue do escritor J. Rentes de Carvalho:

TEMPO CONTADO: O senhor Barthou

13.1.13

Gralhas

Deixam no ar, sibilinas,
os seus pios guturais:

olhos de lince, mofinas
comem acentos, vogais,

consoantes, muitas vírgulas
e ditongos e sinais.

Num pasto de ortografias,
de notícias de jornais,

de sintaxes, de semânticas,
poisam as gralhas vadias

(aluadas e românticas),
como se fossem vestais.

Domingos da Mota

(revisto)

11.1.13

Maria Alzira Seixo: «O Acordo Obscurantista»

Com a devida vénia, a ligação para o texto de Maria Alzira Seixo:

«O Acordo Obscurantista» [Maria Alzira Seixo, PÚBLICO, 10.01.2013]

HOMEM DO LIXO

O último a chegar à festa tem
como castigo varrer o lixo,
o subproduto da embriaguez
organizada. Não é justo nem
injusto, é a lei dos retardatários.

A essa hora já os gastos foliões
mergulham no sono que se segue
a toda a felicidade, cientes
de que irão acordar ressacados
mas contentes por terem feito tudo
o que era humanamente possível
para se divertirem uma última vez.

Sozinho no recinto, o retardatário
dança com a sua vassoura,
recolhe sobriamente os detritos
da exaltação -- preservativos,
cartazes, garrafas vazias --
e consola-se com a mentira
de ter sido poupado à desilusão.

Findo o trabalho, tem ainda tempo
para se apiedar dos vindouros,
que da festa não terão sequer notícia,
que nunca poderão participar
sequer remotamente em algo
tão aparentado com a esperança.

José Miguel Silva

LADRADOR, Averno, 2012

2.1.13

A Leitura

Não te deixes enrolar!
És tu quem tem de pagar...
Põe o dedo em cada letra;
pergunta: «Por que está 'qui?»

Alexandre O' Neill

ANOS 70 poemas dispersos, Assírio & Alvim, Lisboa, Outubro, 2005

1.1.13

Schumann / Richter



(com a devida vénia, colhido em Arpose)