18/04/2013

Império

Onde ele dizia descoberta, ela ouvia jugo. Onde
ele dizia civilização, ela ouvia barbárie.
Pilhagem, extorsão, estupro,
escravatura.
Terra queimada, a princípio,
lavrada, depois, com os ossos dos mortos.
Elas, mais dóceis, vomitavam do ventre
a fé e o medo, misturados no sangue
dos filhos mestiços.
Eles, mais rudes, sabiam que contrapor a força à força
talvez permitisse uma imitação da revolta.
Mas as coisas nunca coincidem com as palavras,
e raramente a carne com o punhal.


Madalena de Castro Campos

O FARDO DO HOMEM BRANCO, Edição Companhia das Ilhas, Lajes do Pico, Março de 2013

2 comentários:

  1. Talvez seja "isto" a Civilização, com pudor admito que tem sido este o resultado do nosso "esforço civilizacional".
    Penso que não terá valido a pena.
    Adorei o texto.

    ResponderEliminar
  2. Jaime A.

    Um belo poema, sim, mas vale mesmo a pena ler o livro onde o colhi.

    ResponderEliminar