POEMA
As palavras mais nuas
as mais tristes.
As palavras mais pobres
as que vejo
sangrando na sombra e nos meus olhos.
Que alegria elas sonham, que outro dia,
para que rostos brilham?
Procurei sempre um lugar
onde não respondessem,
onde as bocas falassem num murmúrio
quase feliz,
as palavras nuas que o silêncio veste.
Se reunissem
para uma alegria nova,
que o pequenino corpo
de miséria
respirasse ao ar livre,
a multidão dos pássaros escondidos,
a densidade das folhas, o silêncio
e um céu azul e fresco.
António Ramos Rosa
O GRITO CLARO (selecção de poemas), [Segunda Parte], Colecção «A Palavra», n.º 1 Faro - 1958
«Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.» Livro dos Conselhos, El-Rei D. Duarte
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23.9.13
15.11.12
[O valor das coisas]
O valor das coisas
não está tanto nelas
como no valor que lhes atribuímos
Daí a nossa incerteza
mas também a margem
da nossa liberdade
António Ramos Rosa
Em torno do imponderável, Editora Licorne, Lisboa, Outubro de MMXII
não está tanto nelas
como no valor que lhes atribuímos
Daí a nossa incerteza
mas também a margem
da nossa liberdade
António Ramos Rosa
Em torno do imponderável, Editora Licorne, Lisboa, Outubro de MMXII
6.9.10
A VITÓRIA ESSENCIAL
Foi sempre um único homem um pobre homem
que durante séculos e séculos
levantou esta mão que eu levanto agora
na solidão do mundo
em vão sempre e não em vão
em revolta absoluta de incontível humanidade
levanto esta mão que levanto agora
contra
a prepotência diabólica
que um dia será cinza da sua vergonha inominável
cinza sem futuro
absorvida pelo azul da realidade humana essencial.
António Ramos Rosa
in Choque e Pavor, 2003
O POETA NA RUA, Selecção e Prefácio de Ana Paula Coutinho Mendes, Quasi Edições, Julho de 2005
que durante séculos e séculos
levantou esta mão que eu levanto agora
na solidão do mundo
em vão sempre e não em vão
em revolta absoluta de incontível humanidade
levanto esta mão que levanto agora
contra
a prepotência diabólica
que um dia será cinza da sua vergonha inominável
cinza sem futuro
absorvida pelo azul da realidade humana essencial.
António Ramos Rosa
in Choque e Pavor, 2003
O POETA NA RUA, Selecção e Prefácio de Ana Paula Coutinho Mendes, Quasi Edições, Julho de 2005
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