3.7.26

[Vale a pena discutir]

Vale a pena discutir
por razões que a razão tece
com quem grita, manda vir
e a razão desconhece?

E travar-se de razões,
aumentar os decibéis
por meras opiniões
sobre dedos e anéis,

quem os mantém, quem os perde,
perdendo o pé e a razão
quando a disputa referve
e engrossa a discussão?


© Domingos da Mota

23.6.26

[São João, sem alho porro]

São João, sem alho porro
não me verás na noitada.
Por martelos eu não corro,
e gosto da martelada.

Domingos da Mota

30.5.26

Edgar Morin (1921-2026)


 Pesar, muito pesar!

16.5.26

João Abel Manta (1928-2026)

                                                  Muito, muito pesar!

 

31.3.26

14.3.26

LITANIA

     É grande o deus da guerra, e é seu reino
     Um campo como milhares a apodrecer.

     Stephen Crane



E a guerra,
a besta imunda desenfreada,
feroz, mais atroz que mil invernos

queima e devasta e devora
os próprios filhos que afunda
no mais fundo dos infernos


© Domingos da Mota

Bolsa de Valores e Outros Poemas
, Temas Originais, Lda., Coimbra, 2010

12.3.26

Mário Zambujal (1936-2026)


                                                        Muito, muito pesar!

5.3.26

António Lobo Antunes (1942-2026)


                                                        Pesar, muito pesar!

5.2.26

Os olhos

Os olhos cansados
de fiar debruam de luar,
de breu, de bruma

as cordas negras
do tear espesso do tempo
que se esfuma.


Domingos da Mota

Pequeno tratado das sombras e outros poemas

15.1.26

Do tardo-fascismo

Com aura de redentor,
de salvador da nação,
um serôdio seguidor
do de Santa Comba Dão

anda à solta no país
(não é Dom Sebastião)
e arrancará p'la raiz
a liberdade, se não

se enfrentar sem mas, a sério
o torvo neofascista,
lambe-botas do império
com ar de salazarista.


Domingos da Mota


4.1.26

17.10.25

António Borges Coelho (1928-2025)


 Pesar, muito pesar!

(fotografia colhida na net)

24.8.25

Maestro José Luís Borges Coelho (1940-2025)


Pesar. Muito pesar!
              
                                         (Fotografia de Egídio Santos)
 

10.8.25

BILHETE-POSTAL NEGRO

I

Calendário repleto de compromissos, futuro incerto.
O rádio trauteia uma canção popular sem nacionalidade.
Cai neve no mar totalmente gelado. Vultos
             acotovelam-se no cais.


II

Acontece, a meio da vida, a morte bater-nos à porta
e tomar-nos as medidas. Essa visita é esquecida,
e a vida continua. O fato, porém, esse
             é cosido em silêncio.

Tomas Tranströmer

50 Poemas, Tradução de Alexandre Pastor, Relógio D'Água Editores, Lisboa, julho de 2012

19.1.25

sonhei

sonhei
que um fogo vindo do céu
devastava a América.

o homem sonha.
se deus quiser
a obra nasce.

Alberto Pimenta


QUE LAREIRAS NA FLORESTA [de as moscas de pégaso], 7 nós, Porto, Janeiro de 2010

31.12.24

Adília Lopes (1960-2024)

Tenho uma vida
a viver
e uma morte
a morrer


Adília Lopes



LE VITRAIL LA NUIT
A ÁRVORE CORTADA
, & etc, Lisboa, Fevereiro de 2006

8.12.24

Avó

minha santíssima avó
com um vestido comprido justo
abotoado
com uma quantidade incontável
de botões
qual orquídea
qual arquipélago
qual constelação

sento-me no seu colo
e ela conta-me
o universo
de sexta
a domingo

compenetrado
sei tudo –
– sobre ela
a única coisa que oculta
é a sua origem
avó Maria apelido de solteira Balaban
Maria Calejada

nada diz
sobre o massacre
da Arménia –
o massacre dos Turcos

quer poupar-me
conceder-me vários anos de ilusão

sabe que chegará o dia
em que o descobrirei por mim mesmo
sem palavras maldições e lágrimas
a superfície
áspera
e a profundidade
da palavra

Zbigniew Herbert

POESIA QUASE TODA (1956-1998)
, Introdução de J. M. Coetzee, Selecção de J. M. Coetzee e Alissa Valles, Tradução do polaco e notas de Teresa Fernades Swiatkiewicz, Edição Cavalo de Ferro, Penguin Random House Grupo Editorial, Unipessoal, Lda., Lisboa, Outubro de 2024

27.7.24