Senhores juízes sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto.
Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim.
Compus este poema para me defender no Tribunal Plenário de
tenebrosa memória, o que não fiz a pedido do meu advogado que
sensatamente me advertiu de que essa minha insólita leitura no
decorrer do julgamento comprometeria a defesa, agravando a sen-
tença.
Natália Correia
Antologia Poética, [A Mosca Iluminada], Prefácio de Fernando Pinto do Amaral, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Junho de 2002
«Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.» Livro dos Conselhos, El-Rei D. Duarte
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13.9.13
7.2.10
VIOLENTÁMOS A NATUREZA QUANDO MATÁMOS AS NOSSAS FERAS
Os homens copiavam os anjos;
Os anjos copiavam os homens;
Ambos copiavam a inocência;
copiava uma inocência como feras.
Homens como os feras devoraram
devoraram os anjos como feras.
A inocência vestiu-se de roxo
pelo luto das futuras eras.
Natália Correia
AS Maçãs de ORESTES, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Julho de 1970
Os anjos copiavam os homens;
Ambos copiavam a inocência;
copiava uma inocência como feras.
Homens como os feras devoraram
devoraram os anjos como feras.
A inocência vestiu-se de roxo
pelo luto das futuras eras.
Natália Correia
AS Maçãs de ORESTES, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Julho de 1970
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