28.2.10

[há o coração é o cão]




há o coração é o cão
preso por uma carícia
não sou eu que o prendo
o cão é que me solta

Joaquim Castro Caldas

, edições apalavrados

18.2.10

10.2.10

O PROFESSOR DE FILOSOFIA

O professor de filosofia saíra do manicómio.
A filha morrera, nunca lhe tinha sido
isso explicado, nem ele, que gostava de lógica,
fora capaz. Os rapazes tinham a mesma idade:
desfrutavam a gaguez, o Sócrates.
Nem piedade ensinava. Aprendia
a cicuta da ferocidade.

António Osório

Planetário e Zoo dos Homens, Editorial Presença, Lisboa, 1990

7.2.10

VIOLENTÁMOS A NATUREZA QUANDO MATÁMOS AS NOSSAS FERAS

Os homens copiavam os anjos;
Os anjos copiavam os homens;
Ambos copiavam a inocência;
copiava uma inocência como feras.

Homens como os feras devoraram
devoraram os anjos como feras.
A inocência vestiu-se de roxo
pelo luto das futuras eras.

Natália Correia

AS Maçãs de ORESTES, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Julho de 1970

6.2.10

HELIODORO BAPTISTA " Sem data"

            (Ao Luís Carlos Patraquim)


Que tipo de desagregação interior
nos excita a língua, em flecha tensa
para que a bisga, de verdete propensa
acerte na boca labrosta do ditador?

Heliodoro Baptista

Poemas, Leya, Janeiro de 2009

1.2.10

TÚNEL

E então, de quando em quando,
no meio da escuridão,
a redundância de um túnel.

Deus, por onde andava eu
quando a luz foi repartida?

A. M. Pires Cabral

QUE COMBOIO É ESTE, Edição Teatro de Vila Real, Dezembro de 2005