28.4.11

As elites

Com a devida vénia, aqui deixo a ligação para um excelente texto do escritor J. Rentes de Carvalho, sobre as nossas elites, publicado no seu blogue.

TEMPO CONTADO: As elites

16.4.11

A queda do governo

isto está tão bom
que tanto faz


pois é
o governo anterior não fez
já não há que pôr no prato
já não há que pôr no prego
combater o desemprego?
mas se o anterior não fez
pelo menos é o que este diz


isto está tão mau
que tanto faz o que se diz
que tanto faz quem fez
o governo que aí vem
é o futuro em marcha atrás
é o passado outra vez
é o anda nem desanda
já não há que pôr no prego
vou virar o bico ao prato
está a subir o desemprego
e a estalar o desacato
bem vês
ninguém põe os pontos nos iis
tanto faz o que se diz
tanto faz o que se fez
o governo caiu ontem
perco a mulher outra vez
queremos medidas de fundo
e um prego
e um prato
um pensamento profundo
um ministro embalsamado
um chouriço, um presunto
um doido bem penteado
e um careca varrido.
o que se faz
o que se diz
que o governo não fez
nem hoje nem há um mês
oh!, mas não vás
olha-me ali pr'aqueles cus
o quê? Tanto te faz?
ai o governo quer bis?
ora bolas! Mas bem vês
não há mas nem meio mas
ainda perco o emprego
hei-de comer-te no prato
hás-de te espetar no prego
ora mostra lá o umbigo
para quê? Isso é comigo
espera-me ali no café
espera-me no lá-de-lá
não te esqueças vai votar
neste que diz que fez
naquele que diz que faz
no outro que faz que diz
agarra-te a uma voz
vai até ao infinito
agarra-te a um pau de giz
come chouriço e presunto
olha a queda do governo
olha o tombo do defunto
canta lá uma cantiga
grândolavilamorena


João Habitualmente


DE MINHA MÁQUINA COM TEU CORPO, Cadernos de Campo Alegre, Fundação Ciência e Desenvolvimento, Novembro de 2010

9.4.11

revolta

respira, verbo infinito
anima a força dormida
que eu tenho retido um grito
e acesa uma ferida

que eu tenho um lápis de fogo
para gravar o preceito
respira, sintagma novo
abre as comportas ao peito

assume o signo humilhado
renuncia ao eufemismo
do dicionário castrado
do castrador catecismo

respira o feno e a seiva
o silvestre aroma de pinho
o quente bafo da leiva
o denso vapor do vinho

respira, luso idioma
esta lufada de vida
que todo o sono é sintoma
de lenta morte morrida

Cláudio Lima

ITINERÂNCIAS, Edição Opera Omnia, Guimarães, Outubro de 2010

2.4.11

SORRATEIRA

É torcer para não fugir
Um estalo
Foi -
Seria

Thiago Ponce de Moraes

ANTOLOGIA DE POESIA BRASILEIRA DO INÍCIO DO TERCEIRO MILÉNIO dezoito poetas da novíssima geração (selecção e organização de Caudio Daniel), 7 Dias 6 Noites - Editores Unipessoal, Lda., e editora exodus, Fevereiro de 2008