27/12/2009

Poemas de Pedra e Cal

Edificamos a nossa casa dos sonhos
com tijolos e cimento, com a massa

feita à mão.

E tu dizes-me: olha este acabamento!
e dali saem asas de andorinha
e a casa começa por palavras
e termina no telhado com poemas...

Fernando Morais

republicação, de Poemas de Pedra e Cal (inéditos)

26/12/2009

ASSIM COMO ABRIR OS OLHOS

achei a agulha
que perdi no palheiro
não foi graças a cunhas
a favores
a intrigas
a ameaças

piquei-me

Francisco Gonçalves de Oliveira

E LOGO ONTEM O FUTURO, Poemas, Edição do Autor, Porto, 2009

06/12/2009

O Sermão

Do púlpito saíam sons tremendos
não era fala de gente nem guinchos de bicho
eram ameaças para além da morte
eram chibatadas e roufenhas
quase palavras de castigo

As inocentes vítimas sentadas
murmuravam de cabeça baixa
num templo de fios eléctricos
microfones e sintetizadores...

Às tantas o discurso acabou
e passou a saca das esmolas
toda ufana e contente...

era a única que não estava assustada!

Fernando Morais

(Inéditos)