Toma. Isso. Bebe tudo. É
um Porto de 85. Delidos pelo sofá deixemos
que deste vinho nos dê de beber
Dioniso. Escolher um sofá de sala
já devia precaver duas ou três características:
ser largo como o fastio
(profundo
como o quebranto) tão
longo como a preguiça. Isso. Mais?
Bebe tudo. Há
depois esses que adestram
(ébrios de vinho e poesia) o
tédio da burguesia.
João Luís Barreto Guimarães
com a devida vénia, de Poesia Reunida, Posfácio de José Ricardo Nunes, Quetzal Editores, Lisboa, Outubro de 2011
(Nota: no v. 4.º deste poema, na edição do livro Luz Última, em vez de Dioniso, lê-se, Dionísio).
Morcegos & Olhimancos
«Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.» Ensaio sobre a cegueira, José Saramago
2 de Junho de 2012
23 de Maio de 2012
ILUMINAÇÃO NA PONTE DE LEÇA
Arranca Pára
Pára Arranca
De súbito a tua cara
a tua barba branca
Em cima de um contentor
manobrando um guindaste
Pai Pai porque
me abandonaste?
Jorge Sousa Braga
com a devida vénia, de O NOVÍSSIMO TESTAMENTO e outros poemas, Assírio & Alvim, Lisboa, Abril de 2012
Pára Arranca
De súbito a tua cara
a tua barba branca
Em cima de um contentor
manobrando um guindaste
Pai Pai porque
me abandonaste?
Jorge Sousa Braga
com a devida vénia, de O NOVÍSSIMO TESTAMENTO e outros poemas, Assírio & Alvim, Lisboa, Abril de 2012
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Jorge Sousa Braga
20 de Maio de 2012
Por Timor
Afaga o sol, o sol
nascente à proa
de uma sarça de dor
atroz, tamanha:
a dor maior
do que as montanhas
- à mercê do cinismo
e do terror.
Acende a voz, agarra
o tempo e voa a salvar
o que resta em carne viva
da terra dizimada,
destruída
- que renasce das cinzas,
por Timor.
V. N. Gaia, Setembro de 1999
Domingos da Mota
de, UM GRITO POR TIMOR, Edição INATEL / Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, Dezembro de 1999
nascente à proa
de uma sarça de dor
atroz, tamanha:
a dor maior
do que as montanhas
- à mercê do cinismo
e do terror.
Acende a voz, agarra
o tempo e voa a salvar
o que resta em carne viva
da terra dizimada,
destruída
- que renasce das cinzas,
por Timor.
V. N. Gaia, Setembro de 1999
Domingos da Mota
de, UM GRITO POR TIMOR, Edição INATEL / Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, Dezembro de 1999
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Domingos da Mota
19 de Maio de 2012
"Este coiso"
Parafraseando o conselho de José Saramago, em epígrafe, acrescento: se podes ouvir, escuta:
�lvaro Santos Pereira - O coiso by Alex Guerreiro
�lvaro Santos Pereira - O coiso by Alex Guerreiro
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Sinais dos tempos
18 de Maio de 2012
16 de Maio de 2012
[A mesa está suja]
A mesa está suja
e a cadeira tem restos mortais
de tanta gente.
Onde pousar a próxima dúvida?
Rosa Alice Branco
com a devida vénia, de CONCERTO AO VIVO, & etc, 2012
e a cadeira tem restos mortais
de tanta gente.
Onde pousar a próxima dúvida?
Rosa Alice Branco
com a devida vénia, de CONCERTO AO VIVO, & etc, 2012
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Rosa Alice Branco
13 de Maio de 2012
CARLOS PAREDES, 1990
Tinha pedido uma cerveja,
um pires de caracóis
e uma espécie de cinzeiro,
em frente ao convento do Carmo.
Aí mesmo tive de saber
a morte de Carlos Paredes.
Fazia sentido: ali mesmo,
entre ruínas, assisti
a um dos seus últimos concertos.
Era outro o céu - o céu
pobre de Lisboa, caindo
sobre a minha juventude. Mas
parece tão igual a perda,
o silêncio parado das mãos.
Quando o desastre chega,
pedimos mais cerveja
e aceitamos, por fim,
o calmo desfavor dos versos.
Manuel de Freitas
com a devida vénia, de JUKEBOX, Edição Teatro de Vila Real, Abril, 2005
um pires de caracóis
e uma espécie de cinzeiro,
em frente ao convento do Carmo.
Aí mesmo tive de saber
a morte de Carlos Paredes.
Fazia sentido: ali mesmo,
entre ruínas, assisti
a um dos seus últimos concertos.
Era outro o céu - o céu
pobre de Lisboa, caindo
sobre a minha juventude. Mas
parece tão igual a perda,
o silêncio parado das mãos.
Quando o desastre chega,
pedimos mais cerveja
e aceitamos, por fim,
o calmo desfavor dos versos.
Manuel de Freitas
com a devida vénia, de JUKEBOX, Edição Teatro de Vila Real, Abril, 2005
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Manuel de Freitas
11 de Maio de 2012
Bernardo Sassetti - Da Noite - Ao Silêncio
Junto, com a devida vénia, de um belo poema de Eugénio de Andrade:
"Faltava-te essa música ainda,
a do silêncio, fria de tão nua,
agora para sempre e sempre tua."
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In Memoriam
9 de Maio de 2012
O Governo invisível
Com a devida vénia, um artigo de opinião de Baptista-Bastos que vale a pena ler, pois também por cá se sente duramente «o governo invisível dos poderosos» e dos seus títeres de turno:
O Governo invisível - Opinião - DN
O Governo invisível - Opinião - DN
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Baptista-Bastos
6 de Maio de 2012
Eugénio de Andrade- Poema à Mãe - pelo Diseur Nuno Miguel Henriques
com a devida vénia, um dos belos poemas de Eugénio de Andrade, na voz do dizedor (gosto mais do que diseur), Nuno Miguel Henriques.
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Poesia dita
1 de Maio de 2012
30 de Abril de 2012
25 de Abril de 2012
As Portas que Abril abriu - José Carlos Ary dos Santos
Com ou sem "comemorações oficiais":
25 de Abril sempre,
Fascismo nunca mais!
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José Carlos Ary dos Santos
21 de Abril de 2012
15 de Abril de 2012
SERRAT Y ANA BELEN , MEDITERRANEO..
Com a devida vénia, colhida no blogue de Samuel, "cantigueiro".
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Música
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