28.8.16

Estudo para soneto: a ver passar comboios

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Urbano

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Domingos da Mota

[inédito]

27.8.16

cimbalino

um cimbalino
por favor
- um quê?
- cimbalino:
café
curto
de máquina:
nem descafeinado
nem café
pingado
nem cevada:
um cimbalino
como 
no piolho

Domingos da Mota

[inédito]

26.8.16

soneto, com estrambote

a corrente de ar
os pulmões
a corrente de ar
os pulmões
a febrícula
a febre
a tosse
a consulta
o médico:
inspire
expire
diga 33
o doente:
33
33
33

Domingos da Mota

[inédito]

19.8.16

O facilitador

Se não tem obra que valha
uma agulha no palheiro
nem um fósforo na palha,
mas é useiro e vezeiro
no comércio de mesuras,
obséquios, cortesias
(um olho nas sinecuras
e o outro nas conezias)
e maquina veniagas
que permuta por alvíssaras,
cadeiras e vitualhas
e muitas coisas cediças,
quem será, em bom rigor,
este facilitador?

Domingos da Mota

[inédito]

14.8.16

Pleonasmo

O pobre diabo
dá-se muita
desimportância.

Domingos da Mota

[inédito]

12.8.16

Saldos

Saldam-se
promissórias, fundos,
livranças, acções,

promitentes vanglórias,
penduricalhos,
pregões.

Domingos da Mota

[revisto]

4.8.16

Quiçá

Avistar, ver ao longe, ver o mar,
abraçar com os olhos a montanha,
ver o mundo do alto e respirar
sem ficar assanhado, tal a sanha
contra quem vai cobrar, quiçá, taxar
a amplitude do espaço, o ar soalheiro
com vontade talvez de aliviar,
de baixar o imposto ao pardieiro,
pudesse abertamente confiar,
mas sem resvalar num atoleiro.

Domingos da Mota

[inédito]

3.8.16

O sobrolho

Tu que estás de férias, não te evadas
nem iludas os teus, se os tiveres;

regressa já, torna, vem para casa,
volta ao trabalho, logo que puderes:

o saldo orçamental pode ser mau,
sublinha o sobrolho da UTAO.

Domingos da Mota

[inédito]

31.7.16

Ponto de encontro

Eis o lugar,
o sítio, o ponto,
o ponto exacto
com rigor escolhido
como ponto
de encontro.
É um facto.
Mas
o desencontro
faz todo
o sentido.

Domingos da Mota

[inédito]

28.7.16

Sansão e Dalila

Fosse eu ministra, a sanção
não seria aplicada,
disse a Dalila ao Sansão
e o Sansão não disse nada.
Esperou, olhou pra ela,
para a Dalila dum jeito,
como se fosse a cadela
que lhe ferrasse no peito
os cabelos para dar
ao inimigo que andava
por ali a ameaçar
com a sanção que apurava.
Mas como não há sanção,
a Dalila está tão, tão...

Domingos da Mota

[inédito]

27.7.16

Um vinho e pêras

Posso ser coxo, mas não serei tanto
Como o Pêra Manca da notícia:
Um vinho e pêras, ó fatal ganância,
Adulterado, que pior malícia!

Domingos da Mota

[inédito]

14.7.16

Brexit

Sai,
mas fica
com um pé,
um pezinho
a balançar

pois esta
Europa
não é um cão
que ouse
ferrar

a quem está
com o pé
do lado 
de cá
do muro

ou do canal.
E assim 
é
ou será
o Brexit,

por muito
que
sobressalte:

um puro
whisky
de malte.


Domingos da Mota

[inédito]

ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA - SE VOSSA EXCELÊNCIA...

1.7.16

Múmia

Essa múmia apodíctica,
Malvada de sua graça,
Invectiva, regurgita,
Mostra os dentes, ameaça.

Domingos da Mota

[inédito]

12.6.16

Provérbio

Mandaste porque  querias
ou não querias que fosse
feito aquilo que pedias
que se fizesse? O mando,
por evidente que seja,
pode acabar em desmando
sem que o mandante preveja
as suas consequências,
se quem vai fazer a coisa
não percebe as exigências
ou não acata e até ousa
rebelar-se, dizer não,
negar-se a fazer o acto,
incitar à sedição,
tumultuar, ipso facto.

Domingos da Mota

[inédito]

29.5.16

Febre amarela

Febre amarela:
que febre será esta
que se espalha

e contamina a querela
sobre o futuro
da praga?

Domingos da Mota

[inédito]

7.5.16

Das inaugurações de túneis, pontes, escolas & quejandos

Não batam mais no ceguinho
Com manifesta amnésia:
Uma pedra no caminho
Não lhe perturba a parrésia.

Domingos da Mota

[inédito]