2 de Junho de 2012

Esposo serve vinho à mulher para almejar seus favores

Toma. Isso. Bebe tudo. É
um Porto de 85. Delidos pelo  sofá deixemos
que deste vinho nos dê de beber
Dioniso. Escolher um sofá de sala
já devia precaver duas ou três características:
ser largo como o fastio
(profundo
como o quebranto) tão
longo como a preguiça. Isso. Mais?
Bebe tudo. Há
depois esses que adestram
(ébrios de vinho e poesia) o
tédio da burguesia.

João Luís Barreto Guimarães

com a devida vénia, de Poesia Reunida, Posfácio de José Ricardo Nunes, Quetzal Editores, Lisboa, Outubro de 2011
(Nota: no v. 4.º deste poema, na edição do livro Luz Última, em vez de Dioniso, lê-se, Dionísio).

23 de Maio de 2012

ILUMINAÇÃO NA PONTE DE LEÇA

Arranca  Pára
Pára  Arranca
De súbito a tua cara
a tua barba branca

Em cima de um contentor
manobrando um guindaste
Pai Pai porque
me abandonaste?

Jorge Sousa Braga

com a devida vénia, de O NOVÍSSIMO TESTAMENTO e outros poemas, Assírio & Alvim, Lisboa, Abril de 2012

20 de Maio de 2012

Por Timor

Afaga o sol, o sol
nascente à proa
de uma sarça de dor
atroz, tamanha:
a dor maior
do que as montanhas
- à mercê do cinismo
e do terror.

Acende a voz, agarra
o tempo e voa a salvar
o que resta em carne viva
da terra dizimada,
destruída
- que renasce das cinzas,
por Timor.

V. N. Gaia, Setembro de 1999

Domingos da Mota

de, UM GRITO POR TIMOR, Edição INATEL / Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, Dezembro de 1999

19 de Maio de 2012

"Este coiso"

Parafraseando o conselho de José Saramago, em epígrafe, acrescento: se podes ouvir, escuta:

�lvaro Santos Pereira - O coiso by Alex Guerreiro

16 de Maio de 2012

[A mesa está suja]

A mesa está suja
e a cadeira tem restos mortais
de tanta gente.

Onde pousar a próxima dúvida?

Rosa Alice Branco

com a devida vénia, de CONCERTO AO VIVO, & etc, 2012

13 de Maio de 2012

CARLOS PAREDES, 1990

Tinha pedido uma cerveja,
um pires de caracóis
e uma espécie de cinzeiro,
em frente ao convento do Carmo.

Aí mesmo tive de saber
a morte de Carlos Paredes.
Fazia sentido: ali mesmo,
entre ruínas, assisti
a um dos seus últimos concertos.

Era outro o céu - o céu
pobre de Lisboa, caindo
sobre a minha juventude. Mas
parece tão igual a perda,
o silêncio parado das mãos.

Quando o desastre chega,
pedimos mais cerveja
e aceitamos, por fim,
o calmo desfavor dos versos.

Manuel  de Freitas

com a devida vénia, de JUKEBOX, Edição Teatro de Vila Real, Abril, 2005

11 de Maio de 2012

Bernardo Sassetti - Da Noite - Ao Silêncio



Junto, com a devida vénia, de um belo poema de Eugénio de Andrade:

"Faltava-te essa música ainda,
a do silêncio, fria de tão nua,
agora para sempre e sempre tua."

9 de Maio de 2012

O Governo invisível

Com a devida vénia, um artigo de opinião de Baptista-Bastos que vale a pena ler, pois também por cá se sente duramente «o governo invisível dos poderosos» e dos seus títeres de turno:

O Governo invisível - Opinião - DN

6 de Maio de 2012

Eugénio de Andrade- Poema à Mãe - pelo Diseur Nuno Miguel Henriques



com a devida vénia, um dos belos poemas de Eugénio de Andrade, na voz do dizedor (gosto mais do que diseur), Nuno Miguel Henriques.

30 de Abril de 2012

April in Portugal



Com a devida vénia, "em jeito de homenagem a Louis Armstrong".

25 de Abril de 2012

As Portas que Abril abriu - José Carlos Ary dos Santos



Com ou sem "comemorações oficiais":

25 de Abril sempre,
Fascismo nunca mais!

21 de Abril de 2012

15 de Abril de 2012

SERRAT Y ANA BELEN , MEDITERRANEO..



Com a devida vénia, colhida no blogue de Samuel, "cantigueiro".