«Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.» Livro dos Conselhos, El-Rei D. Duarte
26.6.13
24.6.13
AS CONDIÇÕES LOCAIS
Despede-se o amigo junto à porta do elevador
- Quando nos voltaremos a encontrar.
Vai à procura de sustento
Seguindo o ciclo dos nómadas assalariados
Ao dia
Por essas terras com dono
Noite e dia
A guerra foi declarada
Campos de trigo em absoluto silêncio.
João Almeida
Telhados de Vidro, N.º 18 . Maio . 2013, Averno, Lisboa
- Quando nos voltaremos a encontrar.
Vai à procura de sustento
Seguindo o ciclo dos nómadas assalariados
Ao dia
Por essas terras com dono
Noite e dia
A guerra foi declarada
Campos de trigo em absoluto silêncio.
João Almeida
Telhados de Vidro, N.º 18 . Maio . 2013, Averno, Lisboa
13.6.13
Livro do Dessassossego
297.
A reductio ad absurdum é uma das minhas bebidas predilectas.
Bernardo Soares
LIVRO DO DESASSOSSEGO, edição Richard Zenith, Assírio & Alvim, Lisboa, Maio de 2003
A reductio ad absurdum é uma das minhas bebidas predilectas.
Bernardo Soares
LIVRO DO DESASSOSSEGO, edição Richard Zenith, Assírio & Alvim, Lisboa, Maio de 2003
1.6.13
12.5.13
Baptista-Bastos: O poder como manigância
Com a devida vénia, a ligação para um texto de Baptista-Bastos, sobre um recente e muito comentado discurso de Paulo Portas:
O poder como manigância - Opinião - DN
O poder como manigância - Opinião - DN
25.4.13
ESQUERDIREITA
À esquerda da minoria da direita a maioria
do centro espia a minoria
da maioria de esquerda
pronta a somar-se a ela
para a minimizar
numa centrista maioria
mas a esquerda esquerda não deixa.
Está à espreita
de uma direita, a extrema,
que objectivamente é aliada
da extrema-esquerda.
Entretanto
extra-parlamentar (quase)
o Poder Popular
vai-se reactivar, se...
Das cúpulas (pfff!) nem vale a pena
falar, que hão-de
pular!
Quanto à maioria de esquerda
ficará - se ficar - para outro poema.
Alexandre O'Neill
ANOS 70 poemas dispersos, Assírio & Alvim, Lisboa, Outubro de 2005
do centro espia a minoria
da maioria de esquerda
pronta a somar-se a ela
para a minimizar
numa centrista maioria
mas a esquerda esquerda não deixa.
Está à espreita
de uma direita, a extrema,
que objectivamente é aliada
da extrema-esquerda.
Entretanto
extra-parlamentar (quase)
o Poder Popular
vai-se reactivar, se...
Das cúpulas (pfff!) nem vale a pena
falar, que hão-de
pular!
Quanto à maioria de esquerda
ficará - se ficar - para outro poema.
Alexandre O'Neill
ANOS 70 poemas dispersos, Assírio & Alvim, Lisboa, Outubro de 2005
24.4.13
18.4.13
Império
Onde ele dizia descoberta, ela ouvia jugo. Onde
ele dizia civilização, ela ouvia barbárie.
Pilhagem, extorsão, estupro,
escravatura.
Terra queimada, a princípio,
lavrada, depois, com os ossos dos mortos.
Elas, mais dóceis, vomitavam do ventre
a fé e o medo, misturados no sangue
dos filhos mestiços.
Eles, mais rudes, sabiam que contrapor a força à força
talvez permitisse uma imitação da revolta.
Mas as coisas nunca coincidem com as palavras,
e raramente a carne com o punhal.
Madalena de Castro Campos
O FARDO DO HOMEM BRANCO, Edição Companhia das Ilhas, Lajes do Pico, Março de 2013
ele dizia civilização, ela ouvia barbárie.
Pilhagem, extorsão, estupro,
escravatura.
Terra queimada, a princípio,
lavrada, depois, com os ossos dos mortos.
Elas, mais dóceis, vomitavam do ventre
a fé e o medo, misturados no sangue
dos filhos mestiços.
Eles, mais rudes, sabiam que contrapor a força à força
talvez permitisse uma imitação da revolta.
Mas as coisas nunca coincidem com as palavras,
e raramente a carne com o punhal.
Madalena de Castro Campos
O FARDO DO HOMEM BRANCO, Edição Companhia das Ilhas, Lajes do Pico, Março de 2013
14.4.13
Sebo
De vez em quando os livros,
reduto agrário da memória
e da linguagem do fogo,
têm sorte, alguém aparece,
solitário bandeirante,
para salvá-los da morte,
da cega ruína
de suas girândolas e orelhas
na lixeira pública.
Paulo da Costa Domingos
[Poemas Abrasileirados, Lisboa &etc], in RESUMO a poesia em 2012, edição Documenta, Lisboa, Março 2013
reduto agrário da memória
e da linguagem do fogo,
têm sorte, alguém aparece,
solitário bandeirante,
para salvá-los da morte,
da cega ruína
de suas girândolas e orelhas
na lixeira pública.
Paulo da Costa Domingos
[Poemas Abrasileirados, Lisboa &etc], in RESUMO a poesia em 2012, edição Documenta, Lisboa, Março 2013
6.4.13
OS BOTÕES
« - A pena de morte é a única solução para muitos casos. E o próprio juiz e o
júri é que carregam, todos ao mesmo tempo, nos botões e um deles liquida o
condenado».
Alexandre O'Neill
POESIAS COMPLETAS, Assírio & Alvim, Lisboa, Maio de 2007
júri é que carregam, todos ao mesmo tempo, nos botões e um deles liquida o
condenado».
Alexandre O'Neill
POESIAS COMPLETAS, Assírio & Alvim, Lisboa, Maio de 2007
3.4.13
a galope
vão-se embora palavras
deixem-me ali à esquina
amem e façam-se à vida
não temam a morte voem
sabem que não são minhas
para lá dessas fronteiras
que desapertam as rimas
com poemas ou bombas
fucem apanhem boleias
entre cometas e estradas
só vos deixei preparadas
para os cornos dos poetas
as músicas e as ânsias
que nos fazem ir às almas
fujam de aqui raparigas
há rapazes pelas esperas
de gerações filhos e feras
pelo meio de beijos e balas
cumpram de mãos acesas
esses silêncios essas iras
a que o tempo dá legendas
se uma língua forem todas
Joaquim Castro Caldas
MÁGOA DAS PEDRAS, Deriva Editores, Porto, Janeiro 2008
deixem-me ali à esquina
amem e façam-se à vida
não temam a morte voem
sabem que não são minhas
para lá dessas fronteiras
que desapertam as rimas
com poemas ou bombas
fucem apanhem boleias
entre cometas e estradas
só vos deixei preparadas
para os cornos dos poetas
as músicas e as ânsias
que nos fazem ir às almas
fujam de aqui raparigas
há rapazes pelas esperas
de gerações filhos e feras
pelo meio de beijos e balas
cumpram de mãos acesas
esses silêncios essas iras
a que o tempo dá legendas
se uma língua forem todas
Joaquim Castro Caldas
MÁGOA DAS PEDRAS, Deriva Editores, Porto, Janeiro 2008
30.3.13
«Não merecia Vieira este tratamento» [M.C.V., mensagem]
Com a devida vénia, deixo a ligação para a mensagem de Maria do Carmo Vieira, dirigida ao Professor Pedro Calafate, a propósito da publicação da obra integral do Padre António Vieira, «devastada e profanada com a aplicação do AO»:
«Não merecia Vieira este tratamento» [M.C.V., mensagem]
«Não merecia Vieira este tratamento» [M.C.V., mensagem]
26.3.13
Torquato da Luz (1943-2013)
O que importa
Nem balanço nem contas. Nada disso.
Importa é recusar o compromisso
do permanente deve & haver.
Importa é ter insubmisso
a todo o tempo o coração.
Importa é não ceder
e saber dizer não
a quem, por qualquer razão
que supõe ter,
não pretende senão
fazer-nos obedecer.
Importa é que a rebeldia
nos seja pão de cada dia.
Torquato da Luz
com a devida vénia, um poema do autor, colhido no seu blogue, Ofício Diário;
a fotografia foi retirada daqui.
22.3.13
Óscar Lopes (1917-2013)
![]() |
| Prof. Óscar Lopes |
Tive o privilégio de assistir a algumas aulas deste grande Mestre, e também a diversas das suas palestras, que tinha o condão de transformar rapidamente num diálogo enriquecedor com os presentes. Entre várias, recordo-me duma sobre a matemática da língua falada. Brilhante.
(fotografia colhida no Público)
13.3.13
José Gil - filósofo e ensaísta
Com a devida vénia, a ligação para uma entrevista com o filósofo José Gil, na TSF, no dia 10 de Março de 2013, aqui.
11.3.13
[Um homem duplo cego]
Um homem duplo cego
aposta o limite. Um homem que se preze
presume uns degraus abaixo
do limiar de pobreza. Um homem
a ver gente vencida pelo silêncio,
a morrer aos bocados.
Um homem à beira
do fim.
Rui Baião
LADRADOR, Averno, Lisboa, Março de 2012
aposta o limite. Um homem que se preze
presume uns degraus abaixo
do limiar de pobreza. Um homem
a ver gente vencida pelo silêncio,
a morrer aos bocados.
Um homem à beira
do fim.
Rui Baião
LADRADOR, Averno, Lisboa, Março de 2012
8.3.13
EPITÁFIO
Dum cesto de flores carrega a púrpura.
Da noite o ar rouco.
José Emílio-Nelson
PESA UM BOI NA MINHA LÍNGUA, Edições Afrontamento, 2013
Da noite o ar rouco.
José Emílio-Nelson
PESA UM BOI NA MINHA LÍNGUA, Edições Afrontamento, 2013
6.3.13
O Discurso Proibido de Hugo Chávez na COP-15 (Legendado)
Hugo Chávez
(28 de Julho de 1954 - 5 de Março de 2013)
1.3.13
28.2.13
O mito escangalhado
Com a devida vénia, deixo a ligação para o texto acutilante de Baptista-Bastos, no Diário de Notícias:
O mito escangalhado - Opinião - DN
O mito escangalhado - Opinião - DN
23.2.13
30.1.13
Investigações sobre o poder
Em certas noites os homens rumam
a um canto da sala para cotejar
seus feitos. Um simpósio de insatisfeitos.
Com o gesto ominoso da
combustão do tabaco vão esgrimindo argumentos
atentos à porta aberta (àquele
degrau oferecido que ainda
possam subir). É o carnaval do poder
em seu
pequeno esplendor (os vencedores vindimando
a colheita dos vencidos
comentando com desdém os pobres
trabalhos de Sísifo).
Espio a cena de longe. Não
bebo não jogo e esta noite (a
ter de desconversar)
prefiro falar de mulheres.
É muito menos obsceno.
João Luís Barreto Guimarães
você está aqui, Quetzal Editores, Janeiro de 2013
a um canto da sala para cotejar
seus feitos. Um simpósio de insatisfeitos.
Com o gesto ominoso da
combustão do tabaco vão esgrimindo argumentos
atentos à porta aberta (àquele
degrau oferecido que ainda
possam subir). É o carnaval do poder
em seu
pequeno esplendor (os vencedores vindimando
a colheita dos vencidos
comentando com desdém os pobres
trabalhos de Sísifo).
Espio a cena de longe. Não
bebo não jogo e esta noite (a
ter de desconversar)
prefiro falar de mulheres.
É muito menos obsceno.
João Luís Barreto Guimarães
você está aqui, Quetzal Editores, Janeiro de 2013
28.1.13
27.1.13
Desabafo da semana
Vão desculpar-me o vernáculo, mas "ir aos mercados" só me lembra a expressão "ir às putas". Não sei mesmo se não serão sinónimos.
Ana Cristina Leonardo
Ana Cristina Leonardo
19.1.13
O senhor Barthou
Com a devida vénia, uma ligação para o blogue do escritor J. Rentes de Carvalho:
TEMPO CONTADO: O senhor Barthou
TEMPO CONTADO: O senhor Barthou
11.1.13
Maria Alzira Seixo: «O Acordo Obscurantista»
Com a devida vénia, a ligação para o texto de Maria Alzira Seixo:
«O Acordo Obscurantista» [Maria Alzira Seixo, PÚBLICO, 10.01.2013]
«O Acordo Obscurantista» [Maria Alzira Seixo, PÚBLICO, 10.01.2013]
HOMEM DO LIXO
O último a chegar à festa tem
como castigo varrer o lixo,
o subproduto da embriaguez
organizada. Não é justo nem
injusto, é a lei dos retardatários.
A essa hora já os gastos foliões
mergulham no sono que se segue
a toda a felicidade, cientes
de que irão acordar ressacados
mas contentes por terem feito tudo
o que era humanamente possível
para se divertirem uma última vez.
Sozinho no recinto, o retardatário
dança com a sua vassoura,
recolhe sobriamente os detritos
da exaltação -- preservativos,
cartazes, garrafas vazias --
e consola-se com a mentira
de ter sido poupado à desilusão.
Findo o trabalho, tem ainda tempo
para se apiedar dos vindouros,
que da festa não terão sequer notícia,
que nunca poderão participar
sequer remotamente em algo
tão aparentado com a esperança.
José Miguel Silva
LADRADOR, Averno, 2012
como castigo varrer o lixo,
o subproduto da embriaguez
organizada. Não é justo nem
injusto, é a lei dos retardatários.
A essa hora já os gastos foliões
mergulham no sono que se segue
a toda a felicidade, cientes
de que irão acordar ressacados
mas contentes por terem feito tudo
o que era humanamente possível
para se divertirem uma última vez.
Sozinho no recinto, o retardatário
dança com a sua vassoura,
recolhe sobriamente os detritos
da exaltação -- preservativos,
cartazes, garrafas vazias --
e consola-se com a mentira
de ter sido poupado à desilusão.
Findo o trabalho, tem ainda tempo
para se apiedar dos vindouros,
que da festa não terão sequer notícia,
que nunca poderão participar
sequer remotamente em algo
tão aparentado com a esperança.
José Miguel Silva
LADRADOR, Averno, 2012
2.1.13
A Leitura
Não te deixes enrolar!
És tu quem tem de pagar...
Põe o dedo em cada letra;
pergunta: «Por que está 'qui?»
Alexandre O' Neill
ANOS 70 poemas dispersos, Assírio & Alvim, Lisboa, Outubro, 2005
És tu quem tem de pagar...
Põe o dedo em cada letra;
pergunta: «Por que está 'qui?»
Alexandre O' Neill
ANOS 70 poemas dispersos, Assírio & Alvim, Lisboa, Outubro, 2005
1.1.13
31.12.12
Paulo Rocha [1935-2012]
«Verdes Anos»
Poema: Pedro Tamen
Música: Carlos Paredes
Voz: Teresa Paula Brito (a cantora da banda sonora do Filme)
(colhido em samartime)
24.12.12
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